domingo, 26 de fevereiro de 2012

Para não nos deixar esquecer

O modelismo também serve para não nos deixar de esquecer da bárbarie que foi o século XX.  

O autor do diorama abaixo, Rick Lawler, foi extremamente feliz em não mostrar nada além de um vagão vazio, roupas, malas e diversos objetos das vítimas do Holocausto, que na noção elaborada por Shoshana Felman e Dori Laub, da Universidade de Yale, foi um "acontecimento sem testemunhas", no duplo sentido, pois é impossível testemunhar tanto a partir de dentro (como se pode testemunhar a partir da morte? Não há voz para a extinção da voz) quanto a partir de fora (o outsider é excluído do acontecimento por definição).

O Sonderkommando possui o triste fardo (burden of sorrow) de carregar o que sobrou do comboio recém-chegado. Nosso triste fardo é também não deixar esquecer.

Lawler sabe que não pode retratar o que não pode ser descrito, ou seja, a própria morte, o indisível por natureza. As "verdadeiras testemunhas", as "testemunhas integrais" são aquelas que não testemunharam, nem poderiam fazê-lo, pois estão mortas. Nesse sentido, o diorama testemunha sobre um testemunho que falta.

O que resta de Auschwitz, o valor do testemunho está essencialmente no que lhe falta, no que não pode ser dito por homens que já não o são.







Abraços,

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